A divisão de tarefas transforma a alimentação da casa
Por Rita Lobo - 30 de janeiro de 2026
Hoje eu quero propor uma reflexão sobre dois grandes obstáculos que atrapalham a alimentação das famílias — e afetam diretamente a saúde de todo mundo, inclusive a das crianças.
Bom, a primeira eu nem preciso fazer mistério, porque você já deve imaginar. Começa com “ultra” e termina com “processado”. Sim, os ultraprocessados são produtos que vêm ganhando cada vez mais espaço nas prateleiras dos mercados e também na alimentação das pessoas.
Os estudos epidemiológicos, que são aqueles feitos na vida real, com as populações, ou seja, com um montão de gente, mostram o seguinte: quanto maior o consumo de ultraprocessados, piores são os indicadores de saúde. E o oposto também é verdade. Nas regiões em que as pessoas comem mais comida de verdade, os índices de saúde e de longevidade são melhores.
A obesidade infantil é um problema crescente. Relatório do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) do ano passado mostrou que, pela primeira vez, a obesidade superou a desnutrição entre crianças e adolescentes em idade escolar no mundo todo. Uma em cada 10 crianças e adolescentes no mundo vive com obesidade – 188 milhões de pessoas.
Especificamente no Brasil, os números são preocupantes. De acordo com documento lançado em 2025 pela Sociedade Brasileira de Pediatria:
- 3 em cada 10 crianças entre 5 e 9 anos estão acima do peso.
- Entre crianças até 5 anos, 14% estão com excesso de peso.
- Entre adolescentes, esse número chega a 31%.
Mas, vem cá, você sabe o que são ultraprocessados? São produtos feitos pela indústria, com ingredientes que não usamos na cozinha de casa: corantes, aromatizantes, conservantes, realçadores de sabor… Tudo pra imitar a comida de verdade. Além disso, têm excesso de sal, açúcar e gordura, pra viciar o paladar.
E como faz pra identificar? Leia a lista de ingredientes na embalagem. Se tem nomes difíceis, que você não reconhece ou de produtos que não usa na sua cozinha, é ultraprocessado.
Quanto mais esses produtos ocupam espaço na alimentação, menos lugar sobra pros alimentos de verdade: legumes, verduras, grãos, sejam cereais como arroz, leguminosas, como o feijão, ou mesmo pro macarrão, pra farofa, pros ovos, pras carnes… Esses, sim, são alimentos de verdade que nutrem o corpo, a alma e ainda ajudam a formar o paladar das crianças.
Maravilha, então, a gente já sabe que deve evitar os ultraprocessados e dar preferência à comida de verdade.
Pois é, mas pra garantir comida de verdade na mesa, tem um outro fator que pesa muito — e que é pouco conversado nas casas. Em algumas, inclusive, é quase um tabu.
É mais ou menos assim. Quem nunca fez um cardápio semanal não entende a sobrecarga mental desse trabalho. Isso sem falar em cozinhar, pôr à mesa, tirar, lavar, guardar tudo, reaproveitar as sobras pra não jogar comida fora…
Quem tá nessa posição, de não ter nenhuma responsabilidade em relação à alimentação da casa, provavelmente não vai querer conversar sobre divisão de tarefas. Só que esse é um grande obstáculo pra alimentação saudável nas famílias, que precisa ser discutido.
Na maioria dos lares, os afazeres domésticos, que é um trabalho invisível, ainda recai sobre as mulheres. E aí os ultraprocessados viram uma saída sedutora. Porque as mulheres estão muito sobrecarregadas! Mas até tempo a gente ganha com a divisão de tarefas estruturada. É uma questão matemática. Mas pra isso acontecer, não vale ser uma ajudinha quando der na telha.
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Dividir as tarefas ajuda a equilibrar a carga física e mental e, com isso, sobra tempo e disposição para fazer refeições mais completas e nutritivas. Porque com mais pessoas envolvidas no processo, acabam aparecendo novas ideias, e o assunto alimentação vai ficando mais prazeroso e mais leve.
Fora que envolver os adolescentes nas tarefas da cozinha ensina sobre os alimentos, o preparo dos ingredientes e, claro, sobre hábitos saudáveis. Pode ter certeza que eles serão pessoas mais preparadas pra enfrentar a vida adulta.
Aqui no Panelinha tem várias receitas práticas, todas com alimentos de verdade.
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