Você chama carne de proteína? E pão de carbo?

Você chama carne de proteína? E pão de carbo?
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Por Rita Lobo - 22 de janeiro de 2026


Sabe quando você fica com bode de alguma coisa? Ranço, mesmo. Quando isso acontece, eu paro pra pensar e entender o motivo. Já dizia aquele ditado: bateu, doeu, pega que é teu.

E esse negócio de chamar carne de proteína, pra mim, não dá!

Aí eu fui refletir, estudar, pensar, e entendi o seguinte: quando você começa a chamar carne de proteína, a comida perde a identidade e qualquer coisa serve.

Tanto faz se o que você tá comendo é bife, ovo, arroz com feijão, iogurte proteico cheio de adoçante, emulsificante e outros aditivos químicos… Ou um whey ultraprocessado.

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Percebeu? Chamar comida pelo macronutriente abre uma porta pro consumo de ultraprocessados. Aliás, isso tem até nome, tá? É o nutricionismo, ou reducionismo nutricional. Você reduz a alimentação, que tem a ver com prazer, com saúde e com história, à ingestão de nutrientes.

E isso não fica só na proteína. O pão é carbo. O cafezinho virou dose de cafeína.

E o ato de comer, que deveria ser cultural, afetivo, cotidiano, vira só uma transação comercial.

Os ultraprocessados moldaram o sistema alimentar, e o marketing dessas indústrias tá mudando até o nosso jeito de falar de comida.

É por isso que beber água virou: vou me hidratar. Aí, quando aparece um isotônico que promete hidratar melhor do que água, você nem liga que ele tem adoçante, corante, saborizantes.

E como ultraprocessados são hiperpalatáveis, feitos pra viciar, a água, que é um alimento insubstituível, fica parecendo tão sem graça.

Só que essa lógica estimulada pela indústria de ultraprocessados tá custando caro pra nossa saúde e, consequentemente, pros nossos bolsos.

Os ultraprocessados são formulações industriais, feitas com isolados proteicos, amidos modificados e outras substâncias, que levam aditivos químicos, como corantes, aromatizantes e emulsificantes. Eles passam por tantos processos industriais que o nosso organismo nem entende mais como alimento.

O consumo de ultraprocessados está diretamente ligado ao aumento de doenças graves, como diabetes tipo 2, doenças cardíacas e até depressão.

De acordo com o Guia Alimentar para a População, a nossa alimentação tradicional, simbolizada pelo arroz com feijão, é saudável e nutricionalmente balanceada. Então, eu vou mais é tomar um cafezinho, em vez de dose de cafeína, vou beber água em vez de me hidratar, e vou continuar chamando carne de carne.

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Eu descobri que a minha birra não é da coitada da proteína, e, sim, dos ultraprocessados. E esse ranço é bem difícil de passar.

Aliás, se precisar de receitas sem ultraprocessados, tem tudo aqui no Panelinha.

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